Degelo

 


Mais uma vez me encontro acordada tarde da noite relembrando, relendo, reescrevendo... Não importa quanto tempo passe, quantas pessoas eu encontre, eu sempre sou atraída de volta para os mesmos momentos, para os mesmos sentimentos e, mais uma vez, para a mesma pessoa.

É fato que eu já não sou nem de longe aquela garota tão inocente e apaixonada que seria capaz de largar tudo por ele, mas tampouco sou capaz de esquecê-lo, levando comigo a certeza de que jamais o farei. Por muito tempo tentei ignorar o que eu sentia, usei todas as minhas forças para afastar as memórias que sempre voltavam para me atormentar, mas todos os esforços eram em vão. Até que enfim entendi que realmente o amava, não importando as circunstâncias ou a distância que nos separava, afinal, anos atrás, quando chamei esse sentimento de amor pela primeira vez, eu soube imediatamente que seria para sempre, embora, naquela época, não tivesse noção alguma do quanto nossas vidas poderiam mudar. Mas hoje, sozinha no meu quarto, seis anos depois, ainda busco nele inspirações para escrever.

Há pouco tempo ele disse ainda me amar e que se arrependia de como nossa relação terminou, senti meu coração acelerar com essa revelação - assim como sempre acontece quando se trata dele - e os sentimentos confusos que não se aguentavam mais no meu peito, transbordaram pelos meus olhos. Eu não entendo o que me prende tão bem a ele mesmo depois de tudo que fiz para esquecê-lo. Ele é o único capaz de me contrariar de todas as formas possíveis, para então dizer com perfeita sinceridade e sabedoria palavras que destroem todas as minhas certezas, acabando com meus muros de proteção e abrindo espaço para me guardar fragilizada em seus braços, mostrando que mesmo sem defesas, estou segura com ele. 

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