Carta para te esquecer


 

Eu estou sempre escrevendo sobre você, sempre atraída pelas mesmas lembranças, levada de volta por um coração que nunca esqueceu seu nome e não perde a oportunidade de acelerar à mínima ideia de te ver... Eu sempre amei te amar, sempre gostei de ter alguém para quem voltar, mesmo que apenas em pensamento. A satisfação de ter meu próprio drama amoroso, chorar de saudade em noites de chuva, sentir na alma o peso das músicas românticas que se encaixam tão perfeitamente na gente.... Tudo isso me prendia cada vez mais a você, dava brilho a um sentimento que destrói tanto e camuflava a raiva, a dor, a aflição e tantas outras formas de sofrimento.

Eu sempre te odiei também. Não por nada em você, mas por tudo que você causava em mim. Eu te odiei para não me odiar, para não me destruir. Eu nunca entendi por que eu sentia tanto por você, ou de onde vinha essa dependência absurda de te ter comigo. Eu quis tanto, tantas vezes, não sentir nada, não te amar, não te precisar... Não te conhecer.

É difícil dizer isso, porque eu sei que você vai se culpar e se odiar também, mas o que eu sinto nunca esteve sob o seu controle para que você tenha qualquer culpa. Na verdade, talvez seja exatamente esse o problema, esse sentimento nunca esteve sob o controle de ninguém, ele apenas cresceu indefinidamente sem aviso, sem volta. 

O drama e a avalanche de emoções que me cobrem sempre que falo com você foi o que fizeram com que eu me deixasse levar, que eu aceitasse sentir tudo que sinto por tanto tempo. Mas não é sempre assim. Para cada momento bom, existe outro que me destrói. Eu sinto que estou presa a você, que eu não posso ser totalmente feliz se não for contigo. Perdi a conta de quantas vezes implorei para te esquecer, quantas vezes desejei que nunca tivesse te conhecido... Eu agradeço por ter vivido aqueles momentos, eu realmente fui feliz, mas sempre que eu penso que o preço por aquela felicidade é essa dor que me invade de tempos em tempos, eu não aguento. Eu sou uma pessoa fraca, sabe? Nunca fui capaz de lidar com muita coisa, eu fujo sempre que fica um pouco difícil e a nossa relação... Bem, é mais que difícil.

Quando eu me aproximo de você, todas as minhas certezas se desfazem, tudo que eu acredito se perde e de repente me vejo disposta a qualquer coisa por você, esquecendo até de mim. Mas afinal acho que isso é o que significa amar alguém, não é? Dar tudo de si pela felicidade do outro. Mas eu também sou egoísta, não pretendo abrir mão de mim e sei que sou incapaz de fazer isso quando estou com você. Por isso estou escrevendo essa carta, pois não sei se um dia serei capaz de dizer essas palavras pessoalmente. Talvez essas palavras nunca cheguem até você por um motivo ou outro, talvez essa carta seja apenas para mim mesma. De qualquer forma, isso é o que eu quero dizer. Eu te amei infinitamente, incondicionalmente e falhei em cada tentativa desesperada para te esquecer. Hoje, porém, eu escolho a mim. Não posso dizer que não te amo e duvido que esse sentimento se desfaça algum dia, mas tampouco posso te querer. Também não chamo isso de adeus, mas não quero promessas ou esperanças que me prendam ainda mais, eu quero partir, quero seguir sem você, sem o peso que é amar tanto alguém... E por mais que isso te machuque, nas noites mais escuras, entre lágrimas, continuarei pedindo para te esquecer. 

Comentários